Trabalhando pela Paz – Haiti

Reproduzimos abaixo o depoimento do diretor do OIA, Valmir Fachini sobre a história do projeto OIA no Haiti, um dos primeiros projetos realizados, que repercute, acontece e se multiplica até hoje:

“Recebi a primeira passagem aérea para vir ao Haiti em 2004, para fazer o primeiro biossistemas num orfanato apoiado por um americano, amigo de Victor Janovicht, um turco americano, responsável pelo trabalho que o OIA desenvolvia desde 2003 na Nicarágua. Com a explosão da crise no meio daquele ano, não foi possível viajar.
Passados quatro anos, no final de 2008, a ONG Viva Rio, que veio para o Haiti a convite do alto escalão da ONU, por sua experiência em lidar com situações de conflito nas favelas do Rio de Janeiro, quis começar um trabalho na região de Bel Air com saneamento, como projeto piloto do Programa Ambiental que se propunha a desenvolver. Buscou na internet e encontrou o OIA.

Fizemos algumas reuniões no Brasil já no final do ano e no dia 03 de fevereiro de 2009, desembarcamos no Haiti para implantar o primeiro biossistemas integrado com tratamento de esgoto, produção de biogás, reciclagem de nutrientes, viveiros, lagos de criação de peixes e até tetos vivos.

Tudo parecia bom demais até que em 12 de janeiro de 2010, vem o terremoto de 7.3 e destrói de forma avassaladora a região central de Porto Príncipe e atinge em cheio o bairro de Bel Air e o centro de atividades do Viva Rio onde o estava o BSI, se transforma em um campo de desabrigados aproximadamente 2000 pessoas.
Por sorte mas também pela geometria do biodigestor ele não é afetado pelo terremoto. Já onde estavam os 20 toiletes não se podia entrar pelo risco de novos tremores. A solução foi improvisar toaletes acoplados diretamente sobre a caixa de entrada do biodigestor. Deu tão certo que um figurão da  Agência Âmbital Americana diz num evento público que o que tinha visto de melhor durante sua visita a cidade tinha sido o Biodigestor com os toaletes acoplados.

Depois disso, desenharmos novos modelos que foram multiplicados nos campos, comunidades vizinhas continuam funcionando até hoje. Foram mais de 100 unidades replicadas por micro empresas formadas com o este objetivo. Também se formaram micro empresas de reciclagem, compostagem e viverismo. Hoje estamos fortalecendo as iniciativas de reflorestamento, nas maiores comunidades formadas depois do terremoto. Com cultivo de Moringa Oleífera como carro chefe, e todas as outras que vem na sequência.

Quando o calor fica amenizado e o solo com a biota regenerada permite que muitas outras espécies locais que estavam adormecidas brotem com muita força. Temos também uma área experimental onde hoje é um banco de sementes que os comunitários usam para buscar as sementes e cultivar nas suas casas.

Uma indústria de processamento e o exportação de produtos oriundos deste espécie está crescendo cada dia mais no Haiti. Mas o que descobrimos é que a Moringa Oleífera é um alimento poderosíssimo, completo, e ainda pode ser tão útil ao ambiente e gerar renda para as famílias. A grande maioria da população empobrecida do Haiti e também de outros estamentos usam os diferentes produtos feitos com a Moringa.

As micro empresas se formaram na região metropolitana de PauP, mas a replicação acabou ocorrendo em todas as regiões do país, a partir de 2011. Mas tarde, em 2013 e 2014, vieram uma universidade de Costa Rica, uma empresa Mexicana e uma ONG local, Soil, dirigida por uma americana, incorporaram os biodigestores em seus projetos no Haiti.

Saneamento, biodigestor, biossistemas integrados, produção de moringa, reciclagem de nutrientes com produção de peixes, recuperação de áreas degradadas, convívio com os haitianos e calor atmosférico e humano, o desejo de se capacitar para melhorar de vida, fez um mês de consultoria virar no oitavo ano de convívio por estas bandas caribenhas.”