DATA IMPLANTAÇÃO:

30/8/2007

LOCALIZAÇÃO DO PROJETO:

Brasil > Rio de Janeiro> Petrópolis > Comunidade Sertão do Carangola – Petrópolis – RJ

Nº ESTIMADO DE FAMÍLIAS/INDIVÍDUOS BENEFICIADOS:

200 famí­lias beneficiadas e cerca de 4.000 habitantes

PARCERIAS NESTE PROJETO:

Seop (Serviço de Educação e Organização Popular) Prefeitura Municipal de Petrópolis, Associação de Moradores do Sertão do Carangola, Dr. João Carlos de Almeida Braga (doador da área), HUI – Hamburger Unweltinstitut e. V., Aqua Sol Internacional e Comunidade Europeia – EEUU

DESCRIÇÃO DO PROJETO:

O biossistema do Sertão do Carangola foi estudado durante seis anos consecutivos, inicialmente por engenheiros da companhia de Saneamento Básico de SP – SABESP, com financiamento da Comunidade Européia, analisando parâmetros físico químicos, bacteriológicos e microbiológico dos alimentos produzidos pela estação. Em seguida por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, que analisaram a eficiência do biossólido produzido pela estação no cultivo de couves com resultados muito interessantes entre eles: a não presença de ovos de helmintos em nenhuma amostra do produto, a redução da taxa de coliformes fecais a zero, após 54 dias de sua aplicação no solo e a constatação da não incidência de metais pesados no lodo de esgoto doméstico. Por fim a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ e a Universidade Federal Rural do RJ – UFRRJ, pesquisaram durante dois anos todos os produtos, biossólido, água e aves, bem como exames microbiológicos em voluntários da comunidade.

O projeto desenvolvido na comunidade Sertão do Carangola, a 12 km do centro de Petrópolis – RJ, consiste na implantação de um biodigestor para atender cerca de 200 pessoas oriundas de 10 famílias, uma creche municipal e um centro comunitário. O biodigestor foi construído por técnicos de Changdu – China, especializados em biogás. Todo o gás produzido é utilizado na cozinha do Centro Comunitário. O biossólido depositado em sua câmara é periodicamente retirado, desidratado ao sol e aproveitado como adubo orgânico para horta. A água flui para a estação de reciclagem de nutrientes.

Na estação de reciclagem de nutrientes, o esgoto in natura de 200 famílias é captado e canalizado até um Tanque de Sedimentação construído em alvenaria e com três metros de profundidade. Neste local, a água fica estagnada durante algum tempo, permitindo a ação de microrganismos na quebra das moléculas e a eliminação de agentes causadores de verminoses e doenças. O esgoto, já com aspecto bastante diferente, passa para outros dois Tanques de Oxidação, onde o processo de reciclagem continua pela ação de plânctons e de microalgas, que se multiplicam devido à alta concentração de nutrientes e com o auxílio do ar e do sol. A água, então, segue para o próximo tanque, onde há o criatório de peixes adequados à concentração de nutrientes, tais como pacus, tambaquis, carpas e tilápias. Daí, a água em estado mais purificado passa para cinco Tanques de Macrófitas. Estas plantas aquáticas (lemna, pistia, salvinia, azola) servem de alimento para peixes, patos e outros animais e se encarregam de absorver nutrientes mineralizados ainda presentes na água. A água, então sai dos tanques e é devolvida ao rio em estado de balneabilidade. O acúmulo de macrófitas retiradas do tanque produzem composto orgânico para a horta e o pomar, onde se cultivam verduras e legumes, e frutas em geral

Como funciona o biossistema do Sertão do Carangola?

1) O esgoto humano canalizado das casas passa por uma grade de ferro de proteção para separar materiais (plásticos, por exemplo) que serão depositados no lixo.
2) O biodigestor precisa ser instalado na entrada da estação para que seja mais prático o depósito de resíduos orgânicos, a fim de acelerar a formação de biogás.
3) O que passou pela grade de ferro vai para uma cadeia de três tanques: oxidação, sedimentação e aeração. A função deles é continuar o processo de decantação da matéria orgânica, acelerar a oxigenação pelo ar e pela ação das algas que se multiplicam. Essas caixas têm profundidade de 2 a 3 metros, pois só assim seguram por mais tempo a matéria orgânica. A água que passa por eles vai para os diques de represamento que impedem que ela siga um único percurso. Dessa forma, a água circula por todo o tanque e elimina as bactérias que são nocivas à saúde. Na próxima fase, ela se dirige para os diques de transbordamento que permitem uma passagem sutil – de 2 a 3 milímetros -, aumentando a eficiência da luz solar sobre a lâmina d’água. Nesse passo, acontece mais uma limpeza que elimina de vez as bactérias que podem ter sobrevivido no fundo do tanque.
4) O criatório de aves (patos, galinhas, perus, marrecos) é instalado entre o último tanque de aeração e o início do tanque de peixes. As aves fazem o trabalho de limpar a lâmina d’água de possíveis larvas de mosquitos. Nessa fase de tratamento, a água está no ponto ideal para adubação, irrigação e criação de peixes.
5) Na superfície do tanque de peixes, pode-se, inclusive, cultivar flores, como lírio, junco e papiro.
6) O efluente do tanque de peixes segue para cinco tanques rasos de plantas aquáticas que reciclam mais nutrientes presentes na água.
7) Diariamente, as plantas aquáticas são retiradas para alimentar as aves, fertilizar e fazer cobertura de canteiros e hortaliças. Se houver sobra, ela pode ser guardada na composteira para ser utilizada em épocas de maior necessidade.
8) A composteira precisa ficar situada no centro da estação e próxima aos tanques de plantas aquáticas e da horta.
9) A água final dos tanques de plantas aquáticas é devolvida ao rio em estado apropriado para banho: 1800 coliformes fecais por 100 mililitros. Não há riscos, pois eles são diluídos e adquirem índices menores dos que são recomendados pela OMS.
10) Todo material que sedimenta no fundo de qualquer um dos tanques (lodo) é retirado a cada três meses e, depois, ,posto para secar. Após a secagem, é chamado de biossólido e utilizado diretamente como adubo. Pode, também, ser adicionado na composteira com plantas aquáticas e restos de cultura e servir de estoque nas épocas de maior necessidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Este projeto continua operando com um grupo de pessoas da comunidade, sendo um casal que vive na casa da estação, uma monitora que mora na comunidade e um grupo de adolescentes que estagia nas áreas de pesca, adubo orgânico, hortas medicinal e de alimentos, cuidado de aves.

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