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Conheça alguns artigos já divulgados desde a fundação do OIA na mídia em diversos canais de mídia mundial, sobre nossos projetos , atividades e conceito do O Instituto Ambiental.

Conheça abaixo na íntegra o artigo selecionado:

 
 
Ambientalismo não é brincadeira
Data da Publicação : 17/6/2008
 
Em 1850, a Inglaterra era a primeira nação do mundo com uma população urbana e empregada na indústria maior do que a rural trabalhando na agricultura. No final do século, as cidades industriais se multiplicavam na Europa e na América. A demanda por combustível já era uma preocupação e estes aglomerados urbanos já viviam a crise do lixo e da poluição. No início do século alguns planejadores urbanos e arquitetos já reclamavam da necessidade de manutenção da natureza e dos males da máquina. Charles Dickens em Hard Times de 1854 já descrevia a cidade como um local onde as marcas principais eram as máquinas, a chaminé e a fumaça. Surgiram nesta época os grandes parques urbanos em Londres, Paris, Berlin e Nova York.

No final do século XIX, o artista e escritor inglês William Morris já liderava um movimento contra a rotina da era industrial e por uma maior aproximação da sociedade com a natureza. Ele foi um defensor do artesanato e da preservação de prédios antigos, monumentos e áreas verdes (que deveriam inspirar a produção). Lutou contra os projetos de renovação urbana em moda nas capitais européias onde o antigo era destruído para dar lugar às largas avenidas e aos prédios modernos. O Arts and Crafts Movement teve seu ponto alto na Inglaterra de 1880 até a virada do século, quando ganhou vários adeptos da elite vitoriana. Condenavam as “confusões culturais, sociais e morais da revolução industrial”. O movimento criticava a produção repetida de objetos em massa – fato que, segundo eles, afastava o indivíduo da relação com a natureza do produto. Na arquitetura os membros do movimento começaram a construir “Cottage Houses” para substituírem as construções urbanas repetitivas e monótonas, características de cidades industriais como Londres, Manchester e Liverpool. Alguns seguidores importantes do século seguinte foram Frank Lloyd Wright nos EUA (com as famosas construções em contato direto com a natureza como a casa da cascata ou a casa do deserto) e Hudertwasser, na Áustria com as cidades-jardim.

Existem diversas correntes de pensamento no bojo do que é chamado de ambientalismo. Algumas posições estão associadas com conservadorismo ecológico e outras, reformistas, pregam uma mudança profunda na estrutura social construída pelo capitalismo industrial. O movimento ecológico, de certa forma, propõe uma diminuição do ritmo imposto pela fábrica e pela vida urbana moderna. O ritmo da máquina, para os ambientalistas, entra em confronto com o ritmo da vida. Trata-se de uma discussão que envolve a própria noção de tempo imposta pela revolução industrial e pela vida comercial urbana, intensificada com a implantação da indústria automobilística. A última grande fronteira humana é o tempo: uma ampliação da atividade do começo ao fim das 24 horas do dia. Há mais trabalho com múltiplos turnos, mais cobertura policial, mais uso de telefone e internet a qualquer hora do dia. Há mais hospitais, farmácias, vôos, motéis, restaurantes abertos 24 horas, postos de gasolina, oficinas mecânicas, serviços de locação de automóveis e emissoras de rádio e TV em atividade permanente. O movimento ambientalista que surgiu nos anos Pós-guerra nos Estados Unidos e na Europa, tem forte relação com o movimento da contracultura e ganhou vulto com a explosão da bomba atômica e com a corrida nuclear. A juventude questionava então a própria ética e moral de uma sociedade capaz de promover a destruição da espécie e o genocídio. A sociedade científica e industrial, racional e técnica passou a ser moralmente questionada.

A Terra, de acordo com os ambientalistas, ganhou nos anos 60 uma conotação nova, transformando definitivamente a relação sociedade-natureza. A partir dos anos 60, com as viagens espaciais, começamos a ver a Terra de fora da Terra, criando uma nova consciência do limite físico do planeta. Hoje estamos entrando num novo paradigma. Surgem novos valores, novos comportamentos, assumidos por um número cada vez mais crescente de pessoas e comunidades. Depois da "Grande Depressão" da economia americana ser vencida pela política de Roosevelt em 1942, os Estados Unidos se tornaram a poderosa nação líder do mundo. Mais forte ainda ficou o país depois da Segunda Guerra quando financiou a reconstrução de seus principais concorrentes capitalistas internacionais - a Europa e o Japão. Mas, a partir de 1972, uma nova consciência abalou esta nação. Um sério limite ecológico apareceu e os americanos tomaram conhecimento de que não se podia ter tudo. Fato que ganhou forma, conteúdo e força quando havia o sucesso de uma economia de classe média altamente industrializada e consumista. A contracultura surgiu da prosperidade. Só que a próspera racionalidade do consumo estava em questão com os altos investimentos em armamento e a destruição da natureza. Até os anos 50 ninguém na sociedade americana se preocupava com o destino de todo o lixo produzido pela indústria e o consumo. Tudo era descartável e substituível. Só que os valores (como a família e a escola) também se tornavam descartáveis. As crianças e os adolescentes, filhos desta geração que sofreu a Depressão e a Segunda Guerra, tinham quartos próprios em suas casas. Os adolescentes passaram a representar um potencial mercado consumidor. Os jovens de classe média compravam roupas, discos, filmes e cosméticos. Este "Paraíso do consumo" criou adolescentes introspectivos. Os anos 50 construíram um enorme complexo industrial e militar onde a obediência ao sistema era essencial, mas a Guerra Fria criava também o "medo". As artes, as músicas e a literatura chocavam-se com a formalidade do mundo do trabalho em que viviam os pais dos adolescentes. Este mundo da indústria e da família parecia "careta" demais e os jovens preferiam o "on the road", os cabelos compridos, o sexo fora do casamento e a maconha. A rebelião estava surgindo onde era menos esperada: os membros da burguesia, com os quais o complexo militar e industrial esperava contar. Esta nova geração começava a reivindicar liberdades em outros níveis, auto-expressão e divertimento. O mito do progresso material estava sendo questionado.

Os debates questionavam a família, o trabalho, a escola, as relações entre masculino e feminino, a sexualidade, o urbanismo, a ciência, a tecnologia e o progresso. Hoje a "luta ecológica" não se restringe aos que praticam a contracultura. É, cada vez mais, compartilhada por cientistas e está presente na teoria social.

A confiança na ciência e na razão, consolidados no Iluminismo e concretizados até o limite no industrialismo, está sendo abalada. A contracultura acabou sabendo se organizar em alguns movimentos concentrados, onde obteve conquistas nítidas no Ocidente urbano de hoje. A ecologia é um dos sucessos da contracultura em termos de organização e influência, hoje presente na forma de partidos, instituições independentes, políticas públicas e no discurso científico.

Os ambientalistas, como fizeram anteriormente os hippies e outros grupos anarquistas acrescentam à questão econômica de classes os fenômenos culturais e psíquicos. Uma crítica que vai além das estruturas capitalistas e inclui assuntos como família, sexo, sistema educacional e comportamento individual. A grande contribuição da contracultura foi, justamente, manter uma crítica irônica a algumas instituições como o governo, a mecanização da fábrica, a militarização e o conservadorismo sexual e religioso. Hoje vemos claramente que contracultura não significa apenas ser contra, não é uma brincadeira de crianças rebeldes de classe média. Trata-se de um protesto contra os valores impostos pelo "progresso industrial". O grupo social que forma o movimento ecológico no Brasil se junta a uma corrente internacional de comportamentos e de estilos de vida, emergidos, inicialmente, nos países altamente industrializados e capitalistas como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e França.

Graças à influência dos movimentos ecológicos o termo "desenvolvimento sustentável" ganhou extrema força nos discursos políticos do mundo atual. Desenvolvimento sustentável, entretanto, pode ter vários significados. Para alguns significa uma racionalização da sociedade com a implantação de um desenvolvimento mais "limpo". Para outros, pode representar uma utopia romântica. Mas desenvolvimento sustentável, muitas vezes, é também uma forma disfarçada para a exploração capitalista. No entanto, para um enorme número de indivíduos, a idéia significa uma sociedade eticamente orientada, mais harmônica com a natureza e sem um consumismo destruidor, vivendo de modo mais simples. Uma atitude que parece similar da religiosidade franciscana.

Estas são as principais correntes ecológicas:

1. Um grupo é formado pelos adeptos da opinião de que o meio ambiente não deve ser tocado e apenas preservado. Acabam de, muitas formas, incomodando o sistema capitalista na medida em que não admitem a expansão da indústria e do consumo. São conservadores já que querem manter formas sociais e materiais tradicionais.

2. Outros defendem que as mudanças ecológicas não podem ficar afastadas da criação de uma nova ordem social comunitária descentralizada e independente. Nesta linha existe um grupo mais radical, anarquista.

3. O grupo socialista afirma que mudanças ecológicas importantes só serão alcançadas numa sociedade que derrubar as formas capitalistas de produção. Este grupo não se opõe à ciência e a tecnologia na descoberta de uma produção menos poluente.

4. O eco-feminismo marca oposição às formas paternalistas e machistas de dominação do espaço. Segundo este movimento, são essas as principais causas do desequilíbrio ecológico

5. Um grupo mais capitalista acredita que a própria tecnologia descobrirá formas não poluentes de produzir, sem a necessidade de mudanças estruturais na sociedade

O movimento ecológico provocou algumas mudanças de atitude que precisam ser ressaltadas: o estilo de vida da classe média ocidental está sendo transformando e o consumo de mercadorias "ecológicas" está aumentando, o tamanho das famílias diminuiu, a economia doméstica de recursos energéticos é uma realidade, em todos os cantos do mundo aumentam as implantações de reservas naturais e a preservação de áreas históricas, há um crescimento de agências governamentais (internacionais, nacionais e locais) relacionadas à questão ambiental, há um aumento de leis ambientais. Os países da Europa estão promovendo a redução do uso de automóveis enquanto na China e no Brasil aumentam as fábricas e a circulação de carros. Mas, mesmo nos países onde sentimos ainda maior desprezo pelo meio ambiente e um impulso de desenvolvimento pouco preocupado com a ecologia, os movimentos de ambientalistas e os projetos oficiais de preservação ambiental crescem. A poluição foi reduzida em algumas partes do mundo e está piorando em outras, mas os movimentos ecológicos transformaram, para sempre, a relação entre sociedade e natureza. Uma floresta, uma árvore e um animal selvagem ganharam um novo status simbólico.

 
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