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OIA NA MÍDIA : NOTÍCIAS
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Conheça alguns artigos já divulgados desde a fundação do OIA na mídia em diversos canais de mídia mundial, sobre nossos projetos , atividades e conceito do O Instituto Ambiental.

Conheça abaixo na íntegra o artigo selecionado:

 
 
Transposição de águas não é solução criativa.
Data da Publicação : 30/8/2007
 
Introdução: A transposição de águas do rio São Francisco é um projeto que está gerando grandes polêmicas, principalmente, do ponto de vista ambiental. A maior parte da bacia do rio São Francisco está localizada na região semi-árida e sendo a estrutura geológica predominante o embasamento cristalino. A produção de água fica limitada às bacias sedimentares, às fraturas e aos aluviões. A água é muito preciosa para a região e, portanto, necessitamos de promover projetos para utilizarmos de melhor forma os recursos hídricos e melhorar a sua oferta para a população. A solução eficiente não parece ser a transposição de águas proposta pelo Governo Federal. Estamos passando por uma mudança importante no paradigma técnico e científico em que tratamos os recursos naturais. Defendemos soluções locais e de pouco impacto que podem ser administradas e implantadas pelas próprias comunidades. As grandes obras de engenharia enriquecem empreiteiras e bancos, criam dívidas econômicas, não beneficiam a população mais pobre e causam enormes impactos ambientais que podem ser irreversíveis. As soluções localizadas provam ser mais eficientes e muito mais baratas e participativas. O principal problema da bacia hidrográfica do São Francisco é a poluição das águas por parte das indústrias, do esgoto e dos defensivos agrícolas, fato que altera a qualidade e a quantidade de água. Outro impacto significante é causado pelo desmatamento das encostas e, principalmente, das matas ciliares. A urbanização com calçamento de ruas e construção de edificações sem qualquer planejamento provoca o aumento do escoamento superficial e enchentes em muitas partes. As hidroelétricas e as barragens também causam impactos enormes na vazão das águas. O assoreamento e a diminuição das águas estão diretamente associados aos fatores acima que se encontram, por sua vez, relacionados ao mau uso do solo e à falta de tratamento adequado dos resíduos e a solução não está nas grandes obras de engenharia. Soluções criativas Vários estudiosos de geografia fluvial insistem que quanto menos se mexer na forma original dos canais fluviais melhor será sua preservação e fluxo de água (Cunha e Ferreira, 1996). Afirmam também que a bacia hidrográfica deve ser considerada como um todo sistêmico e a vegetação desde a encosta até as matas ciliares tem uma importância fundamental no regime hídrico. Os impactos da urbanização e da industrialização devem ser amenizados com projetos criativos de implantação de áreas verdes e reciclagem dos resíduos. Para o problema dos resíduos a melhor solução são os biossistemas integrados que reciclam os nutrientes do esgoto e promovem energia alternativa na forma de biogás. Os biossistemas também fornecem rico adubo orgânico para a agricultura e alimentação para a piscicultura (Fachini, 2005) (www.oia.org.br). As planícies de inundação devem se tornar áreas de preservação permanente com o reflorestamento. O asfaltamento deve ser evitado, promovendo-se formas alternativas de transporte ao rodoviarismo, e as construções podem ser feitas de forma mais ecológica intercaladas com áreas verdes (Gupta in Cunha e Ferreira, 1996). A energia deve ser produzida localmente evitando-se extensas redes e seu desperdício. O Nordeste pode se tornar em um importante pólo de desenvolvimento de energias solar, biogás e eólica. O ecoturismo é uma solução comprovada de geração de renda para a região assim como a agricultura orgânica que conquista cada vez mais o mercado mundial. Tudo isso deve ser acompanhado de projetos de educação e informação ambiental em conjunto com a capacitação de jovens para atuarem nestas soluções mais sustentáveis. Considerações: As ONGs e toda a comunidade científica mais virada para as soluções sistêmicas e sustentáveis representam um novo paradigma que deve ser ouvido e respeitado. Trata-se de uma resposta urgente às soluções mecanicistas e urbano-industriais que provaram, ao longo de todo o século XX, serem incapazes de promover o bem estar social e são altamente prejudiciais para o meio ambiente. Temos que mudar o rumo dos projetos que estão em andamento para a bacia do rio São Francisco e abrir caminho para o emergente paradigma sócio-ambiental. Por : Francisco Pontes de Miranda Ferreira
 
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